Nova York se abre aos livros em espanhol: o desafio começa depois da feira
A FILNYC começa neste 21 de outubro com um convite a pensar a língua como território compartilhado. Para autores, leitores e editoras, a questão é também como dar continuidade a esse encontro quando a programação terminar.
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Uma conversa ao lado de uma mesa de livros pode render uma compra, uma recomendação ou a descoberta de um autor que voltaremos a ler por muitos anos. Essa possibilidade, pequena e decisiva, dá sentido a uma feira. Começa hoje, 21 de outubro, a oitava Feira Internacional do Livro da Cidade de Nova York (FILNYC), que vai até o dia 25 e tem como sede principal o John Jay College, em Manhattan. Promovido pelo Instituto de Estudos Mexicanos da CUNY, o evento é gratuito e aberto ao público, segundo sua apresentação oficial.
A notícia importa pelo que a feira reúne, mas também pela pergunta que fica: como transformar a atenção de alguns dias em uma relação duradoura com os livros escritos em espanhol?
Uma língua e seus encontros na cidade
O tema desta edição, “A língua: o mar que somos”, propõe um olhar para o idioma a partir de seus deslocamentos e encontros. A organização estrutura o programa em quatro eixos: geografias do sal, margens e cidades, marés da imaginação e pensar em arquipélago. São formas de trazer a literatura para uma conversa que acolhe diferentes territórios e experiências, como explica a FILNYC.
Do nosso ponto de vista como editora, há uma ideia fértil nessa proposta: uma língua em comum permite o encontro sem exigir que todos escrevam da mesma maneira. Um leitor pode descobrir outra cadência do espanhol, uma palavra desconhecida ou uma paisagem que nunca visitou. Editar também é acompanhar esse encontro, oferecer contexto e cuidar da obra sem apagar o que ela tem de singular.
O tamanho da programação ajuda a entender a ambição do evento. Em sua cobertura de hoje, a jornalista Ana Vidal Egea informa que serão 160 atividades, entre oficinas, encontros e jornadas para profissionais do setor. O número vem dessa reportagem do EL PAÍS, que destaca o crescimento da feira.
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Lorca volta a Nova York; os leitores também contam
Entre as atividades anunciadas está a quarta Noite Lorca, marcada para quinta-feira, dia 22, no Instituto Cervantes de Nova York, com David Uclés, Miguel Poveda e Àngels Gregori. O Ministério da Cultura também anuncia para sexta-feira, dia 23, a apresentação em Nova York do documentário Louco por Lorca: Só o mistério nos faz viver, seguida de uma conversa com Poveda e Ceres Machado. Essas atividades ainda estão por acontecer e constam do comunicado do Ministério.
Esses encontros permitem revisitar uma obra pela música, pelo desenho ou pelo cinema. Seu interesse literário estará nas leituras que suscitarem: alguém pode sair à procura de um poema, retomar um livro que deixou pela metade ou debater uma interpretação. A conversa sobre cultura ganha densidade quando o nome conhecido leva de volta ao texto.
A programação infantil e juvenil também merece atenção. Há atividades com histórias, canções e criação de fanzines (pequenas revistas independentes que combinam textos, desenhos e recortes), além de encontros para profissionais e educadores. Nesse espaço, entram em pauta questões como a edição bilíngue e a circulação de livros entre países.
É aí que esse vínculo pode começar a durar. Para que uma criança procure outro livro em espanhol, ela precisa ter encontrado um que lhe interesse: uma história com humor, uma ilustração que queira ver de novo, uma voz que fale diretamente com ela. Famílias, professores, bibliotecários e livreiros podem manter esse vínculo muito depois da última oficina.
O que uma mesa de livros pode pôr em movimento
Para as editoras independentes, a feira tem ainda um lado concreto. As condições de participação publicadas pela FILNYC preveem a montagem das mesas em 21 de outubro e o atendimento ao público de 22 a 25. Informam também que a organização não cobra comissão sobre as vendas e que transporte e hospedagem ficam por conta das editoras participantes. As inscrições estão encerradas.
Esses detalhes ajudam a enxergar o trabalho que torna o encontro possível. Preparar um catálogo, levar exemplares e atender o público em uma mesa exige recursos. Cada conversa pode ajudar a tomar uma decisão: que livro desperta curiosidade, que explicações dar sobre uma coleção, que obstáculos enfrenta quem quer conseguir um exemplar depois da feira.
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Na Tu Letra Online, nos interessa essa relação entre a obra e seu percurso. Uma feira permite observá-la de perto, mas, para que seus efeitos durem, é preciso dar continuidade ao que acontece ali: informações claras sobre onde encontrar os títulos, recomendações que continuem circulando e oportunidades de conversar sobre o que foi lido. Quando a programação terminar, restará a tarefa de cuidar dos vínculos que tiverem nascido ali.
Essa conversa tem também uma próxima parada na Flórida: a II Feira Internacional do Livro de Tampa. Alberto Sicilia Martínez vinculou a divulgação da feira à apresentação do mural de Vicente Castro Morales dedicado a Ybor City. Naquele encontro, ele apresentou “Tampa nas suas mãos”, uma plataforma para promover a feira e conectar iniciativas da comunidade. Anúncio de Alberto Sicilia Martínez.
De Nova York a Tampa, cada cidade tem suas histórias e suas formas de reunir quem escreve e quem lê. Queremos acompanhar esse percurso: como o encontro em torno de um mural pode abrir uma conversa sobre livros e como uma feira pode ter continuidade em novas leituras, colaborações e projetos compartilhados.
O que fez você continuar lendo um autor que descobriu em uma feira?
O que você gostaria de encontrar na Feira do Livro de Tampa?
Como esses encontros poderiam aproximar os autores que escrevem em espanhol dos leitores da sua comunidade?
Fica o convite para compartilhar experiências, propor ideias e discordar com respeito.
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